Segundo pesquisa, seis em cada dez relatam que o problema foi ignorado ou minimizado por parceiros, amigos ou a família Duas em cada três mulheres diagnosticadas com ansiedade ou depressão dizem ter chegado ou estar à beira do limite no que tange à sua saúde mental. Entre aquelas sem um diagnóstico, quatro em cada dez afirmam se encontrar no mesmo tipo de situação. Ainda assim, 51% esperam até um ano antes de buscar tratamento e seis em cada dez relatam que o problema foi ignorado ou minimizado por parceiros, amigos ou a família. Esse é o resultado de uma pesquisa nacional realizada nos Estados Unidos, entre fevereiro e março, realizada pelo GeneSight Mental Health Monitor, ligado à Myriad Genetics – a empresa é especializada em testes genéticos e tem um braço para analisar o impacto dos medicamentos prescritos por psiquiatras de acordo com o DNA de cada indivíduo.
Ansiedade e depressão: 51% das mulheres esperam até um ano antes de buscar tratamento
Engin_Akyurt para Pixabay
Quando se sentem sobrecarregadas emocionalmente, 72% das mulheres declaram que “apenas precisam de um descanso”, enquanto 31% acreditam que têm que se esforçar mais. Somente 13% dizem que pensaram em procurar um médico. “As mulheres se sentem na obrigação de dar conta de tudo e às vezes nem conseguem admitir que estão enfrentando sérias dificuldades. Se você está chorando debaixo do chuveiro ou no chão, arremessando coisas ou gritando no travesseiro, esses são sinais de que o limite foi ultrapassado e está na hora de buscar ajuda”, analisou a psiquiatra Betty Jo Francher, com mestrado em psicofarmacologia e doutorado em ciência médica.
De acordo com o levantamento, as razões que as entrevistadas alegaram com mais frequência para não procurar um especialista foram:
“Pensei que era só uma fase que eu conseguiria superar sozinha” – 60%
“Não queria que ninguém soubesse que estava passando por dificuldades” – 50%
“Não queria tomar nenhum tipo de medicação” – 31%
“Não podia bancar um tratamento” – 26%
“Não tive tempo” – 18%
A relutância de ir atrás de auxílio, ainda segundo o trabalho, pode estar associada à forma como os problemas mentais são vistos pela família e pelos amigos. Apenas 44% delas conversam sobre o assunto para diminuir os níveis de estresse e ansiedade. Esse manto silêncio só traz resultados negativos: apesar das diversas opções de tratamento, menos de duas em cada dez acreditam que conseguirão se livrar dos sintomas.
A pesquisa é norte-americana, mas acho que muitas brasileiras se identificarão com o quadro descrito. No livro “Menopausa: o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida”, que lancei em março, escrevo sobre o termo expossoma, cunhado em 2005 para designar a totalidade das situações a que o ser humano fica exposto durante a sua trajetória, da concepção à morte. O conceito se baseia em três domínios, começando pelo interno, que é exclusivo do indivíduo: idade, fisiologia, genoma. Os outros dois são as condições externas gerais (socioeconômicas e sociodemográficas); e as externas específicas, como dieta alimentar, ocupação, estilo de vida. Esse é o campo de estudo da médica norte-americana Amy Kind, professora do departamento de geriatria e gerontologia da Universidade de Wisconsin, que argumenta que não se pode ignorar a associação entre o acúmulo de influências do ambiente e as respostas biológicas.
É também o ponto defendido pelo Women´s Brain Project, criado em 2016, que quer aprofundar a discussão sobre as diferenças de gênero e sua relação com problemas neurológicos e psiquiátricos. Quem está na linha de frente da iniciativa é a médica Antonella Santuccione Chadha, sua cofundadora e CEO, que levanta dúvidas sobre o que está por trás do fato de as mulheres serem mais afetadas pelo Alzheimer: “temos que investigar para distinguir o que é biológico e o que é social – e se temos uma combinação dos dois fatores”, enfatiza em entrevistas.